quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Apoio de lingua portuguesa ao alunos africanos
 A profa. Graca Fernandes se coloca a disposicao para ajudar os estudantes africanos em suas dificuldades com o portugues brasileiro para os testes de admissão. Os interessados devem entrar em contato diretamente com ela pelos telefones: 9115-7024, 8492-4820, ou via
e-mail: gracelima36@yahoo.com.br

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Como foi pedido no nosso último encontro, estamos convidando a todos para uma palestra/ discussão sobre o mês de novembro e a consciência negra. Será no dia 25 de outubro as 17 horas na Casa Brasil África. Este evento faz parte dos preparativos para as atividades conjuntas da Casa Brasil África com os estudantes africanos e Caribenhos para o mês de Novembro. 
  Venham e tragam seus amigos !!!

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Cabo Verde pretende promover o país como produto turístico

A ideia é desenvolver o turismo em várias vertentes, como o cultural, ecológico, de saúde e desportivo. Até o próximo fim de semana ocorre no arquipélago o VI Encontro Internacional de Turismo.

Pitt Reitmaier
Praia - De acordo com o presidente da Câmara do Turismo, Diniz Fonseca, o turismo cabo-verdiano não se esgota no segmento "sol, praia e mar" e, mesmo este, "ainda está longe de ser consolidado".
Ele participa do VI Encontro Internacional de Turismo (EITU), que começou ontem e segue até este fim de semana, cujo intuito é promover a marca "Cabo Verde" como produto turístico.
Fonseca considera ser fundamental pensar como desenvolver o turismo em várias vertentes, como o cultural, ecológico, de saúde e desportivo. No entanto, considera que enveredar por outros caminhos não competitivos e onerosos pode não ser a melhor solução para a promoção do turismo no arquipélago.
"O nosso caminho é o turismo aliado à nossa cultura, duas preciosidades que já temos nas nossas mãos e constituem o caminho certo para o almejado crescimento económico e social no país tendo em conta o seu grau de competitividade a nível mundial", sustentou.
Enquanto representante da Câmara do Turismo aproveitou a oportunidade para fazer um alerta a toda a sociedade para a necessidade de se caminhar e agir de forma "inteligente e concertada" sobre este setor vital para o presente e o futuro de Cabo Verde e do seu povo.
Os dados do último barómetro da Organização Mundial do Turismo (OMT) de 2012 indicam que Cabo Verde regista a maior taxa de crescimento (27%) de chegadas de turistas de África Subsariana.
O número de hóspedes nos estabelecimentos hoteleiros no país registou igualmente um aumento de 18,5% no primeiro trimestre de 2013, face ao mesmo período de 2012.
ANGOLA

Deserto do Namibe disputa lugar entre as sete maravilhas naturais de Angola

O Deserto do Namibe, na sua extensão em território angolano, contempla, entre outros locais de referência, o Parque Nacional do Yona, a Reserva Especial do Namibe, a Baía dos Tigres e as lagoas de Arco e do Carvalhão.

Luanda - A província do Namibe apresenta-se no concurso sete maravilhas naturais de Angola com duas candidatas, nomeadamente o Deserto do Namibe  e a Serra da Leba.
Concorrendo na categoria de áreas protegidas, o Deserto do Namibe, na sua extensão em território angolano, contempla, entre outros locais de referência, o Parque Nacional do Yona, a Reserva Especial do Namibe, a Baía dos Tigres e as lagoas de Arco e do Carvalhão.
É um deserto partilhado entre a Namíbia e o sudoeste de Angola e faz parte do Namib-Naukluft National Park, a maior reserva de caça em África. É considerado como sendo o mais antigo deserto do mundo, tendo permanecido em condições áridas ou semi-áridas há pelo menos 55 milhões de anos.
Abunda a Welwitschia Mirabilis, planta que pode atingir mais de mil anos de vida. A maior Welwitschia conhecida, apelidada de "A grande Welwitschia", mede 1.4 metros de altura e mais de 4 metros de diâmetro.
O concurso sete maravilhas naturais de Angola, lançado no dia 17 de Julho pela organização "National 7 wonders", seleccionou as 27 maravilhas das 200 candidatas apresentadas a um conselho científico onde participaram representantes do Ministério da Cultura, Ambiente, Hotelaria e Turismo e outras entidades singulares.
Das 27 maravilhas candidatas para as "sete maravilhas naturais de Angola" constam a Bacia do Okavango, na província do Kuando-Kubango, Barra do Dande (Bengo), as Cachoeiras do Binga (Kwanza-Sul), as Cataratas do Ruacaná (Cunene), as Fendas da Tundavala e a Serra da Leba (Huíla), o Deserto do Namibe (Namibe), o Morro do Moco (Huambo), a Ilha do Mussulo, o Parque da Quissama e o Miradouro da Lua (Luanda).
Estão ainda, entre as candidatas, o Parque Nacional da Cameia (Moxico, leste), o Parque da Cangandala, as Pedras Negras de Pungo a Ndongo e as Quedas de Calandula (Malange), o rio Cuito (Kuando-Kubango), o rio Kwanza (Bié), o rio Zaire (Zaire) e a reserva florestal do Golungo Alto (Kwanza Norte).

Tambores do Benin

Estudo analisa a música ritualística dos grupos fon e iorubá da África Ocidental
LAURO LISBOA GARCIA | Edição 212 - Outubro de 2013
© ARQUIVO PESSOAL
Grupo de músicos do Benin e seus tambores: livro sobre o tema será lançado em breve
Grupo de músicos do Benin e seus tambores: livro sobre o tema será lançado em breve
O grupo étnico fon do sul do Benin, África Ocidental, cultiva certo estilo de música ritualística que poucos pesquisadores se dedicaram a estudar. Em 1984, quando era estudante na Alemanha, o professor Marcos Branda Lacerda, do Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), decidiu viajar por três meses ao país africano para se debruçar sobre essa cultura, seguindo parcialmente o roteiro apresentado nos livros do fotógrafo, etnólogo e antropólogo francês Pierre Verger, que passou grande parte de sua vida em Salvador. Uma revisão crítica de seu longo trabalho será em breve publicada no livro Música instrumental no Benin – Repertório fon e música batá”, pela Edusp.
Lacerda se concentrou em estudar também a música da população iorubá do Benin, principalmente os nagôs, conhecidos no Brasil. “Viajei por várias cidades e separei um conjunto pouco estudado na época, que era o batá. Tive a oportunidade de entrar em contato com muitos grupos musicais”, conta. “Embora muito citada, a música batá era praticamente desconhecida na literatura musicológica. O próprio Verger se referia aos batás por causa do vínculo com a entidade religiosa Xangô. “Além do grupo fon, escolhi para o estudo os grupos batá de duas cidades”, explica.
O pesquisador diz que há publicações bastante significativas no Brasil sobre pesquisas etnográficas e questões antropológicas afro-brasileiras, além dos trabalhos de Verger, como os estudos de Reginaldo Prandi. Porém, no aspecto etnomusicológico, seu estudo parece não ter precedentes. Na pesquisa de campo, Lacerda interagiu com músicos e parte do material gravado por ele deve acompanhar o livro. “O repertório iorubá que gravei lá já é conhecido. Publiquei há algum tempo um CD pelo Smithsonian Institution, que é muito cultivado pelo pessoal da área. Da população fon foi publicada pela Funarte alguma coisa, mas se esgotou rapidamente.”
© ARQUIVO PESSOAL
Segundo o professor, há uma série de elementos rítmicos que se aprofundam mais no repertório fon. “Era um repertório apenas indiretamente estudado por pesquisadores, sobretudo americanos e ganeses, que trabalharam sobre a tradição do grupo ewe. O grupo fon se aproxima mais culturalmente e também tecnicamente desse repertório. Há um aprofundamento de certos elementos rítmicos, com características que diferem muito das da música ocidental. É uma música muito peculiar pelo aspecto teórico”, diz. Já o grupo batá se salienta pela densidade sonora, bastante original mesmo no âmbito dos estilos conhecidos de música percussiva africana.
Esses estilos são ligados aos cultos religiosos, mas a mesma música fon também está presente em celebrações de caráter institucional e solene. Seria o que os músicos tocariam “caso o presidente do país os visitasse”.
Trata-se de uma música extremamente vinculada às ocasiões em que é originalmente executada, embora alguns elementos se projetem de forma diluída na música africana que é conhecida no mundo. “Os estilos populares buscam antes um enxugamento dessas texturas; esses repertórios não devem ser mantidos de maneira alguma dentro do mesmo espectro estilístico.”
Lacerda trabalhou apenas com a percussão (há no livro quatro fotos para dar uma ideia de como são os tambores e da maneira como são tocados), embora os grupos étnicos pratiquem música para outros tipos de instrumento e para a voz. “A voz é muito importante, mas, por razões estratégicas, dediquei-me às partes musicais conduzidas apenas pelos instrumentos.” O trabalho é dedicado também a questões de ordem teórica e a uma breve apreciação de como a música destes grupos teria influenciado a cultura brasileira, sobretudo na música ritualística dos cultos afro-brasileiros, como o candomblé e outras manifestações similares no Maranhão e no Pará.
Branda optou por restringir sua pesquisa praticamente apenas ao mundo musical africano. Para ele, querer escutar o africano para fazer a ponte imediata com o brasileiro comportaria “um risco intelectual”. “O que se passou na música não é o mesmo que se passou com as religiões afro-brasileiras e, no momento, um paralelo excessivamente detalhado seria um pouco forçado”, explica. “O universo brasileiro é múltipo, de uma complexidade conceitual muito forte e não há possibilidade de uma ponte direta – pelo menos não com a parte ocidental da África”, conclui.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Casa Brasil-África sob nova coordenação

A Casa Brasil-África (CBA) da Universidade Federal do Pará (UFPA), está sob nova coordenação. O professor de bioantropologia Hilton P. Silva, assumiu a direção da CBA em agosto e já realizou três reuniões com os estudantes africanos para se apresentar e conhecê-los. A última reunião ocorreu na sexta-feira, 11 de outubro, às 17h, na Casa Brasil-África para discutir as atividades do mês de novembro, considerado o Mês da Consciência Negra, e os planos de gestão para o ano de 2014. Participaram cerca de 20 alunos de diversos países e os planos para o mês de novembro começaram a ser construídos coletivamente.
A Casa trabalha com estudantes, professores e representantes de movimentos sociais, e apoia as lutas contra o preconceito e o racismo que sofrem os africanos e os afro-descentes, bem como possibilita uma maior visibilidade aos estudos sobre as africanidades, envolvendo ensino, pesquisa e extensão, desenvolvidos em âmbito acadêmico na UFPA.
Neste primeiro momento a coordenação está reconhecendo e ouvindo os alunos africanos, informando a eles sobre a Casa e suas atribuições e, com as diversas reuniões, construindo conjuntamente uma agenda de trabalho para a CBA e também para a Cátedra Brasil-África de Cooperação Internacional. A agenda em fase de construção objetiva cumprir as finalidades da CBA no curto, médio e longo prazo.

Cátedra Brasil-África: A Cátedra Brasil-África de Cooperação Internacional da UFPA está ligada a Casa Brasil-África e visa colaborar para a ampliação do intercâmbio entre a Amazônia e a África através de atividades científicas e culturais, incentivo a pesquisas sobre a África e a diáspora africana em todas as suas dimensões e apoio aos movimentos negros no Brasil e na África. No momento a Cátedra está articulando convênios com entidades similares em diversos países africanos.

Casa Brasil-África – A Casa Brasil-África surgiu por meio de uma parceria da UFPA com o Grupo de Estudo Afro-Amazônico, em 2006, objetivando dar maior visibilidade aos estudos sobre a África e a ancestralidade africana no Brasil, envolvendo ensino, pesquisa e extensão. A CBA, que é vinculada a Pró-reitoria de Relações Internacionais da UFPA - PROINTER, organiza eventos e atividades mostrando que a diversidade cultural daquele continente merece ser conhecida e respeitada, e as tradições da África no Brasil precisam ser valorizadas. Além disso, a CBA tem por finalidades apoiar os estudantes africanos na UFPA, promover o intercâmbio científico, técnico e cultural entre a UFPA e instituições dos países do Continente Africano, estimular e divulgar cursos de graduação e pós-graduação sobre temas voltados para a problemática dos países africanos e que estudem questões referentes aos afrodescendentes, entre outras ações de fomento ao engajamento Brasil-África.
CBA está localizada no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Pará, Campus do Guamá, Belém. O secretário bolsista da Casa é o Duterval Jésuka. O telefone da CBA é (91) 3201-8365, e-mail é casabrasilafrica@gmail.com e nosso blog é http://casaafricabrasil.blogspot.com.br/


Com a colaboração de Beatriz Santos- Assessoria de Comunicação da UFPA

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Novo diretor da Casa Brasil-África reúne-se com estudantes nesta sexta-feira

A Casa Brasil-África (CBA) da Universidade Federal do Pará (UFPA) está sob nova coordenação. O novo diretor, professor Hilton P. Silva, convida para uma reunião nesta sexta-feira, 11 de outubro, às 17h, na Casa Brasil-África para apresentar os planos de sua gestão para o ano de 2014, além de discutir as atividades do mês de novembro, considerado o Mês da Consciência Negra. A reunião é aberta a todos os estudantes africanos e a quem estiver interesse na temática africana na UFPA. A CBA está localizada no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Pará, Campus do Guamá, Belém.
A Casa trabalha com estudantes, professores e representantes de movimentos sociais e apoia as lutas contra o preconceito e o racismo, bem como de possibilitar uma maior visibilidade aos estudos sobre as africanidades, envolvendo ensino, pesquisa e extensão, desenvolvidos em âmbito acadêmico.
O novo diretor, professor Hilton Pereira, explica que, neste primeiro momento de sua gestão, a reunião  torna-se importante porque “estamos inicialmente reconhecendo e ouvindo os alunos africanos, informando a eles sobre a Casa e suas atribuições e, com reuniões como esta, construindo, conjuntamente, uma agenda de trabalho para a Casa e também para a Cátedra Brasil-África de Cooperação Internacional. A agenda em construção objetiva cumprir as finalidades da CBA em curto, médio e longo prazo”, disse.
Cátedra Brasil-África - A Cátedra Brasil-África de Cooperação Internacional da UFPA está ligada à Casa Brasil-África e visa colaborar para a ampliação do intercâmbio entre a Amazônia e a África, por meio de atividades científicas e culturais, incentivo a pesquisas sobre a África e a diáspora africana em todas as suas dimensões e apoio aos movimentos negros no Brasil e na África.
Casa Brasil-África – A Casa Brasil-África surgiu por meio de uma parceria da UFPA com o Grupo de Estudo Afro-Amazônico, em 2006, objetivando dar maior visibilidade aos estudos sobre a raça negra, envolvendo ensino, pesquisa e extensão, desenvolvidos em âmbito acadêmico. A casa, que é vinculada à Pró-Reitoria de Relações Internacionais da UFPA (Prointer), organiza eventos de fomento, como palestras e sessões de cinema, com filmes africanos, mostrando que a cultura deste continente precisa ser respeitada e as tradições da África, no Brasil, precisam ser valorizadas.
Além disso, a CBA tem por finalidades promover o intercâmbio Científico, Técnico e Cultural entre a UFPA e as instituições dos países do Continente Africano, estimular e divulgar cursos de graduação e pós-graduação sobre temas voltados para a problemática dos países africanos, que estudem questões referentes aos afrodescendentes entre outras ações de fomento ao engajamento Brasil-África.

Consciência Negra - Segundo o novo diretor, o Mês da Consciência Negra é muito importante no calendário nacional, pois é quando as raízes africanas do Brasil são comemoradas, “nosso objetivo é construir uma ampla programação que envolva atividades acadêmicas e culturais, dentro e fora dos muros da UFPA, de maneira a permitir que o maior número possível de paraenses tenha contato com a enorme riqueza social, cultural e econômica do continente africano, que tem sido, tradicionalmente, visto de maneira negativa pela grande mídia”, finalizou.


Serviço:
Reunião com nova diretoria CBA-UFPA
Data: 11 de outubro de 2013
Hora: 17h
Local: Casa Brasil-África, localizada no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFPA, Campus do Guamá, Belém.
Mais informações pelo Telefone: (91) 3201-7467, ou via e-mail: csbrasilafrica@ufpa.br
Texto: Beatriz Santos- Assessoria de Comunicação da UFPA
Fotos: Alexandre Moraes e Divulgação

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

África do Sul pode perder o título de maior economia de África

Após as várias greves que vêm a acontecer ao longo do ano dos mineiros de ouro e platina, a economiasul-africana está “tremida”. A última greve aconteceu na mina de ouro Harmony Gold em Joanesburgo. Foram mais de 15 mil trabalhadores que baixaram as suas ferramentas e paralisaram a mina, exigindo a remoção da sua liderança sindical local e pedindo bónus livres de impostos. A paralisação aconteceu exactamente um ano depois de uma greve mortal ter sido lançada na mina de plantina em Lonmin´s Marikana Johanesburgo, que deixou 34 mortos.
Uma greve prolongada na indústria do ouro da África do Sul prejudicaria a maior economia da África.
A onda de greves que varrem o sul da África, vai desvalorizar o Rand nos próximos quatro anos, o que levantou preocupações de desaceleração do crescimento. As paralisações na indústria automobilística e no sector da construção já vêm pondo a economia em dificuldades e o encerramento de minas de ouro poderia prejudicar uma indústria que produziu já um terço do ouro do mundo, mas está em rápido declínio nas duas décadas.
Os economistas dizem que a economia da África do Sul, que já sofre de crescimento lento e alta taxa de desemprego, não se pode dar ao luxo de fechar a indústria do ouro.
O trabalho e a gerência são pólos à parte em salários, com a União Nacional de Mineiros, dominante, em busca de aumentos de 60 por cento para os mineiros de nível profissional e o seu rival mais intransigente, a Associação da União de Construção e Mineiros, a reivindicar aumentos de 150 por cento.
Os empregadores dizem que eles não conseguem suportar esses valores devido ao acréscimo dos custos e aos preços deprimidos. O resultado é cortes de emprego, mais desassossego e aumento de greves no sector mineral.
A empresa de gestão de recursos humanos, Adcorp, prevê perdas de emprego de 140 mil em toda a indústria de mineração ao longo dos próximos três anos. A maioria dos 80 mil mineiros em todo o sector que vem fazendo greves já aceitou uma oferta salarial de 8 % e voltou ao trabalho. Mas os trabalhadores das minas da Harmony Gold do Estado Livre central e das províncias a noroeste do Cabo estavam à espera de um melhor acordo. O sindicato dos mineiros vem exigindo um aumento de 60%. Os empregadores tinham oferecido 6% a mesma que a taxa de inflação. Os responsáveis da mina Harmony Gold disseram que os seus funcionários já aceitaram o acordo de pagamento, tal como noticiou a agência de notícias AFP.
A indústria de ouro da África do Sul é uma das maiores do mundo. Mas vem caindo a pique nos últimos anos, enquanto o sector de platina ainda está a recuperar da violência ocorrida durante as greves do ano passado.
No entanto, a mineração ainda é o sector mais importante da economia da África do Sul. Os minerais e metais contam cerca de 60% de todas as receitas de exportação, a mineração contribui em cerca de 10% para o PIB da África do Sul, sendo que 513.211 empregos foram criados no sector em 2011. A África do Sul é a maior produtora de platina do mundo , com 80% das reservas mundiais, tendo 50% das reservas mundiais conhecidas de ouro segundo informação da Câmara de Minas Sul Africanas.
Por muitos anos, a África do Sul foi, de longe, o maior produtor mundial de ouro, mas agora é o quinto maior, com apenas 6% da produção mundial. A União Nacional de Mineiros (NUM) representa cerca de 64% dos 120 mil garimpeiros da África do Sul.
Qual seria o país da África que poderá beneficiar e assumir a posição de maior economia da Africa? A Nigéria está na liderança para lutar pelo título contra a África do Sul.
O que irá acontecer se a Nigéria reenvindica este título? Será que isso afectaria a adesão dos Brics na África do Sul, e será que a Nigéria se tornará o parceiro preferencial da África para o Brasil, Rússia, Índia e China? Muitas são as perguntas e parece que somente os mineiros ficam com esse poder da decisão continuando ou não com as greves.
Ediana Miguel Cidade do Cabo, África do Sul

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

  
Cooperação científica portuguesa é desejada em África
07-10-2013 16:19
Jornalista: Lúcia Vinheiras Alves / Imagem e Edição: António Manuel
© TV Ciência
Uma maior ligação dos investigadores ao ensino entre Portugal e África foi tema de debate na Noite Europeia de Investigadores, promovida pelo Instituto de Investigação Científica Tropical, onde se concluiu haver grande espaço em África para que cientistas europeus, e em especial portugueses, se possam fixar.


A Noite Europeia dos Investigadores (NEI) é o pretexto que leva investigadores do Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT) ao debate sobre investigação e ensino superior na perspetiva da parceria entre instituições portuguesas e africanas. 

Desde 2005, ano em que a Noite Europeia dos Investigadores foi instituída pela Comissão Europeia, que o IICT tem vindo a promover a divulgação científica e debates entre cientistas e o público.

A importância do evento, e sobretudo da ciência, levou o Primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho a endereçar uma mensagem a todos que no IICT vivem a noite de ciência. Uma mensagem lida pelo ex-Secretário de estado da cooperação, Luis Brites Pereira, antes de dar início ao debate.

«Tal como no ano passado envio uma mensagem de felicitações ao IICT pela organização da Noite Europeia dos Investigadores. Desde 2005, esta iniciativa da Comissão Europeia vem acontecendo na última sexta-feira de Setembro para promover o diálogo entre cientistas e cidadãos de idades diferentes e o IICT acolheu desde o início esta iniciativa no lindo Jardim Botânico Tropical».

«Neste evento os investigadores do IICT entusiasmam-se na divulgação da investigação que fazem em Portugal em prol do conhecimento mútuo em particular nos países africanos e de Timor, com os quais cooperam ativamente em áreas científicas chave como a agricultura, florestas, biodiversidade, história e coleções científicas», referiu o Primeiro-ministro em mensagem.

Na mensagem, o Primeiro-ministro faz ainda referência aos 130 anos do IICT. «No dia em que passaram 130 anos sobre a sua criação foi aprovado um relatório sobre o futuro do IICT, onde se recomenda uma aproximação às universidades de Lisboa, reforçando a sua presença em redes lusófonas, europeias e globais. Não espanta por isso a escolha para este ano do Colóquio Saber Tropical: Tropical Knowledge, “Investigação e Ensino Superior na perspetiva da parceria entre instituições portuguesas e africanas”, para o qual estão convidados representantes diplomáticos de países africanos».

«Também fazem todo o sentido, as sessões no seguimento das borboletas de Angola, publicação que tanto encanta quem a contempla e que também assenta numa parceria da Universidade do Porto. Borboletas, alimentos, plantas, etc. Como no ano passado espero sinceramente que aproveitem aprendendo e contribuindo para a afirmação da ciência produzida em Portugal no espaço lusófono, europeu e global», referiu Pedro Passos Coelho.

António Rendas, Reitor da Universidade Nova de Lisboa
António Rendas, Reitor da Universidade Nova de Lisboa
© TV Ciência
Para introdução do debate, António Rendas, Reitor da Universidade Nova de Lisboa (UNL), destaca a importância da internacionalização das Universidades e de uma maior ligação entre o ensino superior e a ciência.

«Temos procurado projetar as universidades portuguesas no mundo e isso deriva do esforço de muita gente, mas acho que talvez seja importante pensar é que se nós alavancarmos a ciência com o ensino superior, talvez seja possível alavancar ainda mais», afirmou António Rendas.

«Acho que Portugal beneficia muito se nós cruzarmos a ciência com o ensino superior, por uma razão muito simples, é porque a investigação científica tem muito a ver com a resolução de problemas», afirmou o Reitor da UNL e acrescentou que «estou convencido que a investigação científica, qualquer que ela seja, tem de ter uma sólida base das ciências puras, da matemática, da física, da biologia, mas tem que ter uma perspetiva muito ligada à análise de problemas ou de como resolver problemas e este contributo é um contributo muito interessante que a NEI aborda».

Sobre o tema em debate, o Reitor da UNL considera que é um desafio, sobretudo para os investigadores do IICT.

«É muito interessante que haja grandes temas que possam ser abordados de uma forma muito virada para a análise, para o desenvolvimento social e económico do país. E o tema tropical é um tema muito interessante, olhar para os trópicos de uma forma global, acho que é um grande desafio» e nesse sentido, «o trabalho do IICT que tem muito a ver com isso, e os cientistas do IICT podem ter aqui um desafio muito grande», afirmou António Rendas.

Falar de ensino superior e ciência nos trópicos, em especial em África, levou António Rendas a abordar a questão do brain drain ou fuga de cérebros.

«Mais de 90% dos profissionais altamente qualificados que estão no continente africano, muitos deles vêm para a Europa e eu isso não creio que seja necessariamente mau, o que é mau é o que eles deixam um vazio nos seus países», afirmou.

Assim, acrescentou o Reitor da UNL, «olhar para os trópicos no sentido mais lato é uma responsabilidade de todos nós e há aqui um enorme desafio que é ligar a investigação científica à formação, que é um desafio que às vezes os cientistas não gostam, os cientistas dizem claramente: “este é o meu território, é o meu compartimento, isto é para desenvolver a ciência”».

Convidada para o debate, Keitumetse Matthews, Embaixadora da África do Sul em Portugal, partilha da preocupação, até porque os dados revelam que 14% da população mundial vive em África, mas menos de 1% dos cientistas trabalha no continente.

«Muitos destes países não têm muitos recursos, pagam muito dinheiro para educar estas crianças e depois elas vão-se embora para outro lugar. Mas também como país reconhecemos que estes jovens pertencem ao mundo, que eles têm de sair, têm de ter experiências noutros locais, têm de voltar como melhores profissionais», explicou a Embaixadora.

No entanto, acrescentou Keitumetse Matthews, «por exemplo na África do Sul estamos a embarcar num Sistema Nacional de Saúde e queremos ter um Sistema Nacional de Saúde gratuito», por isso, «produzimos muitos médicos nas nossas universidades, mas existem 26 mil médicos formados na África do Sul que estão na Europa, Canadá, Austrália e Reino Unido», pelo que «precisamos de substituir esses médicos».

E neste sentido, a Embaixadora deixou uma mensagem a Portugal. «Vamos bater à vossa porta porque vocês têm (médicos) em excesso e estão a ir embora e esperamos que eles vão-se embora na nossa direção e não para Canadá, Austrália e Reino Unido, porque nós precisamos mais do que eles», afirmou Keitumetse Matthews.

África tem plano de acção definido para a C&T

Keitumetse Matthews, Embaixadora da África do Sul em Portugal
Keitumetse Matthews, Embaixadora da África do Sul em Portugal
© TV Ciência
Atualmente África conhece as vantagens e os constrangimentos para o desenvolvimento científico e possui áreas estratégicas de investigação e inovação, definidas pelo Conselho Ministerial da Ciência e Tecnologia da União Africana.

A Embaixadora da África do Sul explica que para «aqueles que querem colaborar em parceria, o Conselho desenvolveu um Plano de Ação Consolidado (CPA) para o continente no que se refere à C&T com objetivos claros e projetos identificáveis. Os dois grandes objetivos são, em primeiro lugar, permitir que África se aproprie da ciência, tecnologia e inovação por forma a erradicar a pobreza e alcance o desenvolvimento sustentável. Em segundo lugar, assegurar que África contribua para o aumento global do conhecimento científico e da inovação tecnológica».

O CPA envolve três áreas prioritárias: «investigação e desenvolvimento, melhoria das condições políticas e construção de mecanismos de inovação, implementação, governação e financiamento», afirma Keitumetse Matthews.

Programas em áreas tão diversas como biodiversidade, biotecnologia, saúde, energia, água e desertificação, ciências dos materiais, Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), espaço e tecnologias e ciências da matemática, entre outras, que para a Embaixadora são áreas a explorar.

«Penso que é muito importante para Portugal olhar para os Planos que a União Africana fez através dos Comités Ministeriais e ver onde se encaixa em algumas coisas que são necessárias. Portugal fez muito trabalho nos assuntos relacionados com o cancro, a diabetes, têm o Instituto Champalimaud, o Instituto Gulbenkian, o Instituto Biomédico no Porto. Portanto, acho que já têm os valores de referência para abordarem os países africanos e oferecerem as parcerias que estão disponíveis», referiu.

A Embaixadora disse ainda que «quando se tem um projeto que é credível, é muito mais fácil para eles (países africanos) encontrarem o financiamento e financiá-lo». Keitumetse Matt O debate animou os participantes e as questões abordadas foram muitas.

Bruno Maçães, Secretário de Estado dos Assuntos Europeus também se associou à NEI promovida pelo IICT.

«Quero dar os parabéns quem organizou a iniciativa, quero dar os parabéns ao Instituto, acho que representa o que melhor existe na nossa vocação cosmopolita do país, criado para expandir o conhecimento de África Tropical no final do século XIX e esta iniciativa é particularmente feliz porque reúne estes dois grandes cosmopolitismos portugueses - o africano e o europeu – a NEI que um pouco por toda a Europa os investigadores se encontram, trocam impressões», referiu o Secretário de Estado dos Assuntos Europeus.

Sobre o intercâmbio académico entre a Europa e África, Bruno Maçães referiu que chegou o momento de ser reforçado. «Estive muito envolvido em iniciativas de intercâmbio académico e pude reparar que o intercâmbio em instituições africanas está ainda quase inteiramente por realizar e que o intercâmbio entre a Europa e os EUA é muito forte, entre a Europa, os EUA e a Ásia desenvolveu-me muito nos últimos 20 anos, e acho que agora chegou o momento de desenvolver o intercâmbio com instituições de ensino superior africanas».

E Instituições como o IICT desempenham neste intercâmbio um importante papel, já que «trabalhar em projetos de investigação académica, apoiar financeiramente estudantes africanos que queiram estudar em Portugal e vice-versa, estudantes portugueses que queiram estudar em universidades africanas, é fundamental e é um papel em que o Instituto pode continuar a fazer o excelente trabalho que tem feito», afirmou Bruno Maçães.

Divulgação do património e atividades para os mais jovens

Atividades na Noite Europeia dos Investigadores no IICT
Atividades na Noite Europeia dos Investigadores no IICT
© TV Ciência
Com um vasto património científico sobre as antigas colónias, o IICT tem vindo a proceder à preservação e conservação, e agora também à divulgação.

E a NEI serviu para que o público pudesse conhecer algumas das coleções históricas e científicas, como sejam as coleções etnográficas oriundas das missões antropológicas entre 1936 e 1956, realizadas pela antiga Junta de Investigações Coloniais a Moçambique.

E um conjunto de artefactos oriundos da Guiné, recolhidos no âmbito da Missão Antropológica e Etnológica à Guiné que decorreu em duas campanhas, entre 1946 e 1947.

Entre diversas atividades, ‘As Borboletas nos Alimentos: Traça o futuro’ foi o mote para os mais jovens observarem o impato das larvas nos cereais, neste caso, no milho.

Mas a NEI promovida pelo IICT, no Jardim Botânico Tropical, é também um espaço para as tradições, para a música e para a dança e o público pode ainda assistir a uma Roda de Capoeira. 

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

  atualizado às 18h17

Interior do Brasil guarda vestígios mais antigos do homem americano

Imagem mostra pinturas rupestres na Serra da Capivara, no Piauí Foto: AFP
Imagem mostra pinturas rupestres na Serra da Capivara, no Piauí
Foto: AFP
Os vestígios mais antigos de habitantes das Américas remontam a 50 mil anos e teriam vindo da África. Assim afirma a arqueóloga franco-brasileira Niede Guidon, que dedicou sua vida a pesquisar a Serra da Capivara, no Piauí, repleta de pinturas rupestres e celebrada em uma exposição em Brasília.
"Dificilmente exista um sítio com concentração tão grande arte rupestre", declarou à AFP a arqueóloga de 80 anos que desde os anos 1970 chefia a missão franco-brasileira que realizou as grandes escavações no parque situado no interior do Piauí.
Antiga fronteira entre as florestas amazônica e atlântica, a Serra da Capivara atraiu uma civilização de caçadores e coletores que deixou um incrível acervo de arte no local.
Cenas de animais, cerimônias, representações de caça, luta e até a vida sexual desses antigos povoadores americanos foram eternizadas em pinturas rupestres em 940 sítios arqueológicos situados entre os impressionantes cânions da Serra.
Antiga fronteira entre as florestas amazônica e atlântica, a Serra da Capivara atraiu uma civilização de caçadores e coletores Foto: AFP
Antiga fronteira entre as florestas amazônica e atlântica, a Serra da Capivara atraiu uma civilização de caçadores e coletores
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O primeiro vestígio humano - restos de carvão de fogueiras estruturadas - data de mais de 50.000 anos, explicou Guidon, filha de pai francês e nascida em São Paulo. "Até hoje é a data mais antiga" de vestígios humanos nas Américas, destacou. A teoria é de que teriam chegado da África.
A representação de arte rupestre mais antiga da Serra tem 29 mil anos, "isto é, quando começava na Europa e na África, começava aqui também. A pedra polida, com lascas, e a cerâmica", afirmou, orgulhosa.
As descobertas nesta serra ajudaram a questionar a teoria tradicional de que o homem teria chegado das Américas há 12 mil anos, vindo da Ásia, cruzando o estreito de Bering rumo ao Alasca.
Outros sítios nas Américas, como Valsequillo no México e Monte Verde no Chile, com indícios de populações com dezenas de milhares de anos, levaram os arqueólogos a supor que os moradores das Américas chegaram por várias vias e em várias épocas, explicou à AFP a arqueóloga Gisele Daltrini Felice.
A "Serra da Capivara" foi declarada Patrimônio da Humanidade em 1991 pela Unesco, mas apenas alguns milhares de turistas a visitam a cada ano.
"Depois de muito esforço, temos 20 mil visitantes por ano. Qualquer patrimônio da Humanidade recebe milhões, e nós estamos preparados para receber milhões", explicou Guidon, desanimada com a falta de recursos para promover o imenso parque, próximo à cidadezinha de São Raimundo Nonato, que há anos tenta concluir a construção de um aeroporto.
O primeiro vestígio humano - restos de carvão de fogueiras estruturadas - data de mais de 50 mil Foto: AFP
O primeiro vestígio humano - restos de carvão de fogueiras estruturadas - data de mais de 50 mil
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Uma centena de peças do sítio arqueológico estão expostas desde quarta-feira em Brasília: cerâmicas, pinturas, restos de flechas e de animais extintos como a mandíbula de uma preguiça-gigante e restos do haplomastodonte, um parente do elefante.
"A ideia é promover um turismo cultural, histórico e natural que pode ajudar o desenvolvimento de áreas próximas aos grandes parques do Brasil, e especialmente a Serra da Capivara, que tem as infraestruturas mais modernas", com 172 sítios para visitar, uma natureza exuberante, um grande museu e laboratórios avançados, mas ainda pouco conhecido, explicou Jerome Poussielgue, encarregado de cooperação da delegação da União Europeia (UE).
A UE patrocina a exposição e um ciclo de conferências com a Unesco, o Instituto de Parques e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico brasileiros.
Guidon lembrou que o interior do Piauí é uma região extremamente pobre que ganharia muito com o turismo. A fundação que lidera as pesquisas no parque impulsiona projetos de desenvolvimento - como uma fábrica de cerâmica que reproduz as pinturas rupestres - que dão prioridade às mulheres.
"Queríamos ajudar o desenvolvimento de uma região onde as mulheres sofrem uma violência enorme", disse Guidon. Hoje as guaritas de acesso ao parque são guardadas por mulheres.
Saudação quilombola ao povo brasileiro.

 Nós, quilombolas, somos os herdeiros de Zumbi dos Palmares, um
dos grandes heróis da história do Brasil. Somos ainda herdeiros de muitos outros heróis que perderam a vida em busca dos nossos
sonhos. Mas temos muito mais do que nos orgulhar. Nos orgulhamos da nossa história de luta e resistência. A luta pelo
direito fundamental ao território e pelo reconhecimento da nossa
identidade quilombola. Com nossa terra garantida, todos os demais direitos passam a ser respeitados e podemos viver com autonomia
e dignidade. Com direito à terra, nossos filhos podem crescer ao
nosso lado e contribuir para o fortalecimento da nossa comunidade
sem serem expulsos para as cidades, onde a violência e o racismo
são graves ameaças a todo jovem negro. Temos orgulho das nossas tradições culturais, das heranças dos antepassados que formam nossa identidade e contribuem para a
diversidade cultural brasileira. Nossas festas, danças, crenças, culinária e outras formas de expressões culturais são um patrimônio
do qual não abrimos mão e, temos certeza, torna o Brasil um país ainda mais rico. Também prezamos pelo nosso modo de vida tradicional, as formas
com as quais manejamos o território e nos relacionamos em favor do coletivo. Nosso manejo da terra se baseia no respeito ao meio
ambiente e na valorização da biodiversidade. A contribuição dos quilombolas para o Brasil inclui a produção de alimentos saudáveis para o consumo dentro e fora de nossas comunidades.Os territórios quilombolas contribuem para a preservação ambiental e isso é um serviço fundamental que prestamos para o Brasil e para
o mundo. Nesse momento em que o planeta enfrenta a maior crise
ambiental de todos os tempos, com as mudanças climáticas, é hora
de termos nossos conhecimentos tradicionais e modo de vida
valorizados. Ao longo da nossa luta conquistamos muitas vitórias, mas ainda
falta um longo caminho de justiça social para as mais de 5 mil comunidades quilombolas existentes em todo o Brasil. Apenas 172
delas estão tituladas e, ainda assim, muitas delas enfrentam
problemas de regularização fundiária. Isso tem que mudar. Não
apenas por uma questão de Justiça, mas da própria preservação
ambiental, riqueza cultural e garantia de alimentos para todos. Fomos arrancados de nossas terras na África e transformados em
escravos no Brasil. Conquistamos a liberdade com muito sangue
derramado e o direito a terra é nossa principal luta. Vamos perseverar até conquistarmos todos os nossos direitos. Porque o Brasil também é quilombola!


Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas
 Contato: conaqadm@gmail.com